quinta-feira, 25 de julho de 2024

Líquidos em quantidade adequada: como prevenir o desiquilíbrio?

Continuação da postagem anterior As pessoas de muita idade saudáveis devem beber mesmo sem ter sede, devem estar bem informadas sobre este assunto, precisam estar atentas aos fatores desencadeantes da desidratação, não beber uma grande quantidade de uma só vez para não causarem distensão gástrica e fazer uso de bebidas e alimentos muito variados para atender todas as suas necessidades. Além disso, o Ministério da Saúde, desde 2006, aconselha que se evitem refrigerantes e bebidas industrializadas e que se opte por água tratada, filtrada ou fervida para beber e preparar alimentos. Com a idade surgem algumas alterações fisiológicas próprias do envelhecimento que dificultam a manutenção do equilíbrio hídrico e que nos obrigam a ficar mais atentos. A sensação de sede que deve sinalizar a necessidade de ingestão hídrica está mais demorada e menos perceptível, o idoso não sente sede com facilidade, portanto esquece de beber líquidos. Outro fator limitante é a incapacidade física que impede, por vezes, o acesso ao líquido. Soma-se muitas vezes, a falta de atenção característica do desempenho cerebral envelhecido; a sua memória desgastada não ajuda a lembrar de que precisa beber algum líquido e o uso de alguns medicamentos (diuréticos e laxantes) que aumentam as perdas de água. O consumo de líquidos também pode ser afetado pela existência frequente de problemas de dor, de visão e de deglutição. Uma baixa ingestão alimentar, o aparecimento de alterações cognitivas, o uso de sedativos e o medo da incontinência urinária são fatores que também podem impedir a ingestão adequada de água. Nesses casos há necessidade de intervenções mais precisas e bem definidas para que não se instale uma desidratação. Cuidadores de idosos devem ser orientados para oferecerem líquidos aos seus clientes com frequência Há vários estudos científicos que provam que o aporte adequado de líquido está associado a vários resultados positivos em idosos como menor número de quedas, melhoria nos níveis de sono durante a noite, menores taxas de constipação intestinal, confusão mental, delírios, insuficiência renal e infecções urinárias, febre por exposição a temperaturas elevadas e risco reduzido de câncer de bexiga nos homens. Consequentemente, as pessoas bem hidratadas auferem uma sensação geral de bem-estar. Alguns especialistas afirmam que líquidos com outras substâncias além da água (sucos, sopas, leite e outros) são preferíveis à água pura porque as perdas hídricas (suor, urina, lágrimas e outros) são acompanhadas de outros nutrientes, particularmente, o sódio. Continua na próxima postagem…

quinta-feira, 18 de julho de 2024

Líquidos em quantidade adequada: como funciona? (atualizado e acrescentado)

Sopas, caldos, sucos, sumos, água de coco, chás, água, refrigerantes, coalhadas, iogurtes, café, leite e outros são alguns dos líquidos que ingerimos para repor o que gastamos e ainda podemos acrescentar frutas, legumes, car nes e peixes suculentos. Assim, pelo consumo alimentar, conseguimos oferecer ao organismo a quantidade de líquidos necessária. Nada no nosso corpo funciona sem água; as articulações precisam de lubrificantes, a fala não será articulada sem a saliva, a digestão precisa das enzimas produzidas pelos órgãos digestivos, os olhos precisam da lágrima lubrificante, o sangue não será produzido, o labirinto dos ouvidos não trabalham sem água e assim por diante. O mais rapidamente afetado é o cérebro, o comandante do nosso organismo. Portanto, em poucos minutos, todo o funcionamento orgânico estará prejudicado se não houver líquidos em quantidade suficiente. Por outro lado, pelos órgãos de eliminação conseguimos excretar os resíduos resultantes do metabolismo fisiológico (urina, fezes, lágrimas, suor e saliva). Esse processo de entrada e saída precisa estar muito bem monitorado e controlado para preservar a vida. Os líquidos que entram são responsáveis pelo transporte dos nutrientes para alimentar as células e os líquidos que são expelidos descartam os resíduos celulares para serem eliminados, ou seja, o lixo do nosso organismo. Portanto, todos os órgãos podem ser atingidos por qualquer alteração no equilíbrio hídrico ou homeostase. O descontrole da homeostase resulta em desidratação ou hiperidratação, alterações que ocasionam grandes malefícios ao corpo humano. O problema mais comum entre as pessoas de muita idade é a desidratação. Segundo os cientistas a pessoa idosa tem seu corpo composto por aproximadamente 50% de líquidos, ou seja, metade do que somos é líquido. O aporte líquido adequado conserva todos os mecanismos em funcionamento, incluindo a função cerebral, preserva as estruturas dos tecidos e mantém estável a temperatura do corpo humano. A necessidade de líquidos pode mudar de indivíduo para indivíduo, mas existem alguns padrões estabelecidos pelos estudiosos e cientistas que podem ajudar na manutenção da vida saudável. A EFSA (European Food Safety Authority) recomenda a ingestão diária de 2,5 litros de água para homens e 2,0 litros para mulheres considerando o aporte de líquidos e o consumo alimentar. Essa quantidade deve ser aumentada em caso de temperaturas ambientais mais altas, atividades e exercícios físicos e o vestuário. Nos idosos esses valores também são válidos. O que altera é a rapidez para se tomarem medidas de ajuste ou adequações. Nos idosos as intervenções devem ser mais rápidas porque os prejuízos também tendem a aparecere com maior velocidade e a vulnerabilidade do idoso é mais alta. Continua na próxima postagem...

quinta-feira, 11 de julho de 2024

Autoconhecimento: um dos pilares do cuidado com a nossa saúde – Parte III

Continuação da postagem anterior... O autoconhecimento mental, segundo os psicólogos, é a capacidade de entender nossa personalidade e o que causa as emoções que sentimos. Nós não reagimos aos eventos, nós reagimos às emoções que esses eventos nos causam. Conhecer-se a si mesmo traz muitos benefícios. Em geral, segundo alguns psicólogos, quem se conhece, convive melhor consigo mesmo, aceita com mais facilidade seus limites e dificuldades, suas emoções e suas reações. Essa aceitação concorre para atitudes mais coerentes, mais claramente posicionadas e facilita a compreensão da própria essência que nos prepara para as adversidades do dia a dia. Estes fatores concorrem para a criação de uma personalidade mais segura, autônoma e assertiva. A consciência de nossa identidade nos faz sentir merecedores de nossas conquistas; nos “empodera” e aumenta a nossa autoestima. Sob o ponto de vista mental, podemos nos conhecer de forma mais superficial observando como nos sentimos momento a momento do nosso cotidiano. Entretanto, para nos conhecermos realmente, como é nosso ser real, com profundidade, não é fácil. Um psicoterapeuta é o profissional mais adequado para ajudar nesse processo porque os fatos não são sempre muito fáceis de interpretar. A origem das nossas angústias, das nossas tristezas, dos sentimentos incapacitantes e dos nossos distúrbios emocionais é o foco a ser procurado para adequarmos o alívio dos sintomas e a solução dos problemas. Para isso, o grande recurso é o aprimoramento do conhecimento de nós próprios. Algumas dicas para desenvolver o autoconhecimento geral: - Nós somos as pessoas mais adequadas para se encarregar de nosso cuidado; para assumir a responsabilidade por nós próprios. Se puder, não delegue. - Aproveite o banho ou alguns momentos antes de adormecer para examinar seu corpo, olhando-o e apalpando-o. - Anote os achados importantes e as datas de sua constatação. Reflita sobre eles e o que deve ser feito. Pergunte ou leia sobre o assunto e mantenha-se alerta. Verifique racionalmente se merecem ser explorados. Não os “jogue para debaixo do tapete” sem ter certeza que essa é a atitude mais apropriada. - Tome as iniciativas que devem ser tomadas. Não opte por “deixar para depois”. Procrastinar, às vezes, tem um preço alto. - Cultive momentos de solidão, olhe para dentro de si própria e analise os aspectos positivos e negativos de sua identidade. - Expanda seu vocabulário emocional, por meio de leituras, vídeos, conversas. Sem dominar as palavras é difícil elaborar os pensamentos. - Analise a opinião dos outros sobre você ou alguma coisa sua. Às vezes, de fora se enxerga melhor do que visto por dentro. - Peça ajuda para a pessoa certa, na hora certa e da forma mais adequada. Hoje o autoconhecimento é considerado um dos mais importantes pilares da saúde; é fundamental para a qualidade da nossa vida e do nosso cuidado. Vamos valorizá-lo e desenvolvê-lo uma vez que ele é imprescindível. Continua na próxima postagem

sexta-feira, 5 de julho de 2024

Autoconhecimento: um dos pilares do cuidado com a nossa saúde – Parte II

Continuação da postagem anterior... O processo do autoconhecimento nunca acaba e todos os dias tenho algumas pequenas e grandes surpresas comigo mesma. Com a muita idade, mulheres e homens precisam conhecer-se, apalpar-se e sentir a existência de nódulos, manchas, regiões com a sensibilidade alterada, “sinais”, consistências não usuais, acúmulos anormais de gorduras, “nós” de massa muscular, pontos doloridos, pontos avermelhados, pústulas, partes ressecadas, o crescimento de seus cabelos e unhas e outras alterações ou deformações que merecem nossa atenção e cuidado. Pequenas variações visuais ou de consistência nem sempre são achados sem importância; devem ser examinadas, observadas e analisadas para não se transformarem em grandes encrencas. Periodicamente, faça uma viagem atenta por todo o seu corpo, observando-o com os olhos e sentindo-o com as mãos. O médico é o profissional que pode avaliar qualquer alteração física, pode diagnosticar ou encaminhar a um especialista. Sob o ponto de vista mais funcional é aconselhado manter a atenção para os alimentos adequados, a sua urina, as suas evacuações, a sua pele e tecidos adjacentes, o seu sono, o que evitar, o que o cansa em demasia, a quantidade de exercício adequada para manter e melhorar seu desempenho, os seus horários biológicos, aquilo que o lhe dá ânimo, vigor e vitalidade e outros dessa mesma natureza. “Ouça o seu corpo”. Em mim, eu “escuto” algumas coisas interessantes. Há dias, sem motivo aparente, senti uma sonolência logo após o jantar (20 horas); achei estranho, mas resolvi ir dormir. Acordei de manhã, bem disposta, leve e pronta para enfrentar um novo dia. Com calma refleti sobre esse sono, lembrei-me de outros acontecimentos similares anteriores e desconfiei que sua causa era uma grande tensão por algumas horas, viver um evento que exigia de mim muita concentração e muita atenção. Depois de algum tempo de muita tensão, o sono era um descanso merecido e meu corpo estava refletindo o efeito dessas horas mentalmente tensas. Outra coisa interessante que “escuto” do meu corpo, é a quantidade de alimentação a ingerir. No momento que meu corpo diz que chega, eu brinco com o garfo, empurro a comida de lá para cá, disfarço um pouco e não como. Parece que “saber” quanto eu quero comer é hereditário; encontrei uns apontamentos da minha mãe dizendo que ficava muito preocupada porque eu, aos 6 meses, não gostava de comer e que havia dias que passava as 24 horas com metade de uma bolacha e negava-me a comer mais. Tenho um neto que, em certo momento da refeição anda com o alimento espetado no garfo à volta do prato e não come mais nada. Somos os dois muito saudáveis. Continua na próxima postagem....

quinta-feira, 27 de junho de 2024

Autoconhecimento: um dos pilares do cuidado com a saúde (revisto) – Parte I

Como diz a palavra, autoconhecimento é o conhecimento da pessoa sobre ela mesma. Conhecer-se é fundamental para saber como nos cuidar, especificamente em relação à saúde. Controlar as emoções, conhecer os limites, captar os sentimentos e os motivos que nos fazem agir, interpretar as sensações e perceber alterações físicas ocorridas são algumas das vantagens do autoconhecimento. Sem isso, não podemos procurar as soluções e opções mais adequadas. Nós não somos aquilo que gostaríamos de ser, nem física, nem mentalmente; somos o resultado da nossa genética, do conhecimento da ciência, do ambiente em que vivemos, do estilo de vida que temos e das experiências vividas. Por isso somos únicos. Não temos grande poder sobre a nossa construção e composição física ou nossa personalidade. Precisamos experimentar, analisar, observar, refletir, viver, interagir, para nos conhecermos em cada situação. Quem não viveu a situação não a conhece e não conhece a si próprio frente a ela. Imaginar não é saber. Além disso, não somos todos os dias iguais, mudamos a cada segundo. Em síntese, somos o ser mais complexo, difícil e sofisticado que existe sobre a terra. O processo de se autoconhecer é lento, exige muita atenção, muito cuidado, muita reflexão e muita observação. Requer, também, conhecimento sobre os acontecimentos passados e seus efeitos e informações sobre sua história familiar. A genética comanda entre 25% a 40% daquilo que somos. A maioria das mulheres da minha idade foi educada e mantida longe do conhecimento do seu corpo, era “feio” mexer nele, era “feio” mostrá-lo; quanto mais fechada e comprida a roupa das meninas, mais apreciada. Menina tinha que não aparecer, manter-se escondida do público. Até o espelho, por vezes, era desestimulado. Recato incluía, não afastar os braços do corpo em público, não os movimentar em demasia para não chamar a atenção. Com essa postura, eu e minhas contemporâneas pouco sabíamos do nosso físico, de suas formas e de suas sensações. Somente mais velhas, começamos a explorar nosso corpo. Continua na próxima postagem...

quinta-feira, 20 de junho de 2024

Os melhores remédios estão com você – Parte III (acrescentado)

Continuação da postagem anterior... Vamos guardar estas dicas: São remédios complementares que não se compram na farmácia: - Manter uma vida muito ativa, com espaços regulares e adequados para o repouso - Fazer exercícios físicos regularmente - Alimentar-se com uma dieta saudável e diversificada. - Seja alguém independente da opinião dos outros - Organizar uma rotina que favoreça boas noites de sono. - Não esquecer a medicação prescrita pelo médico - Ser feliz. O prazer e o riso fácil são ótimos remédios - Interagir com amigos e conhecidos agradáveis e bons companheiros. - Saber dizer não de forma educada. - Só gastar o seu tempo com atividades ligadas ao bem e à positividade. - Tomar sol com segurança, nos horários adequados. - Prevenir o estresse, a ansiedade e a melancolia - Respirar, de preferência, ar mais puro. - Conquistar independência e autonomia. - Saber afastar tudo e todos que não lhe fazem bem. Para finalizar gostaria de contar que, alguns anos atrás, um médico bastante sábio receitou, com o formato de medicação, a aquisição de um animal de estimação para uma parente minha. Antigamente, só tinha um animal de estimação aqueles que gostavam e tinham condições para o manter. Atualmente, a solidão dos idosos e a alta mobilidade das pessoas ocasionam muitas dificuldades para se fugir da solidão. Um companheiro de 4 patas pode ocupar um lugar importante na vida de algumas pessoas. É um remédio ao nosso alcance.

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Os melhores remédios estão com você – Parte II (atualizado)

Continuação da postagem anterior... Sempre que sinto alguma alteração no meu organismo, alguma dor, tontura, febre e outras começo por procurar um médico e seguir suas orientações. Mas, paralelamente, começo a refletir sobre o que posso fazer para ajudar meu corpo a normalizar-se. Ponho em ação “os remédios que estão comigo”. Revejo meus comportamentos de saúde e fico mais rigorosa com sua adequação, ou seja, se não houver contraindicação, aumento os exercícios, tomo mais líquidos, melhoro a alimentação em variedade e qualidade, procuro dormir mais e tomar sol, respeito com mais afinco meus horários biológicos, faço mais vezes meditação, aumento o meu lazer e fontes de prazer e ponho o cérebro a enfrentar mais desafios e a fazer ginástica e assim por diante. Muitas vezes, vou ao médico só para contar-lhe como melhorei e peço-lhe para conferir. Durante esta última pandemia, esses remédios que eu posso usar sem receita médica ajudaram-me a resolver muitas coisas. O estresse com as notícias sobre o novo corona vírus causou-me crises de aumento da pressão arterial, crise de labirintite, início de desidratação, sensações de angústia e apertos no peito, e mal estar geral que foram sanados com duas chegadas até ao Pronto Atendimento e os “remédios que estão comigo”. Os médicos que procurei foram excelentes; indicaram-me desligar a televisão, tomar chá de camomila, conversar por telefone com amigos e ler muitos romances. Obedeci-lhes e não utilizei nenhum recurso farmacológico. Outra importante orientação é aprofundar o nosso autoconhecimento. Nós não somos o que queremos ser e, muitas vezes nos observamos como gostaríamos de nos ver. Tire a poeira dos olhos e observe-se como realmente é, sem mascarar o resultado. “Entre na real”, como se dizia antigamente. Nós não nos conhecemos a não ser quando aceitamos os resultados das nossas vivências. Os indivíduos de muita idade, conhecem sua história, conhecem muitas coisas de seus antepassados e conhecem suas interações com o mundo. Portanto, podem-se conhecer muito melhor se se olharem cuidadosamente e não se iludirem. Essas observações são essenciais para conduzirem suas decisões sobre você mesmo. Aprenda a aceitar-se, a amar-se e a respeitar-se. Dessa forma, os outros vão aceitar você, a amá-lo e a respeitá-lo. Experimente sempre que possível, observe-se e aceite os resultados. Finalmente, se você é uma pessoa com muita idade, não se espante com o fato do seu corpo estar muito diferente do que era. As alterações externas são fáceis e rápidas para serem descobertas. Mas as internas nos surpreendem todos os dias. Agora, o corpo demora para reagir, exige espera e paciência; só dois dias depois eu percebo que exigi demais de um músculo. É mais frágil; qualquer batida exige gelo na hora para a pele não ficar roxa. As sensações estão mais lentas e sutis; a fome, a sede, o frio e outras são sentidos de maneira diferente ou muito suavemente. Exige maior vigilância e observações constantes. O corpo mudou e continuará a mudar. O corpo fala e você tem que o entender. Aceite, assimile e se adapte; treine a sua flexibilidade. Portanto, mantenha suas células saudáveis e você terá mais saúde. Use os remédios que estão em você. Uma vida saudável gera saúde. Mas, não pode ter pressa, o corpo é muito demorado. Continua na próxima postagem...

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Os melhores remédios estão com você – Parte I (atualizado)

Os cientistas são unânimes em afirmar que o prolongamento do envelhecimento saudável depende da genética herdada, dos nossos comportamentos, do contexto que nos rodeia e do conhecimento científico. Desses quatro grupos de fatores, aqueles aos quais temos mais acesso e controle são as atividades comportamentais e os avanços científicos na área da saúde e medicina. Isso significa cerca de 60% ou mais de chance para ter uma velhice com qualidade de vida. Vale a pena lutar. Lembremos que o envelhecimento também é um processo natural, programado para acontecer inexoravelmente. As nossas células já nascem programadas para morrer. O que podemos fazer é mantê-las funcionando bem por mais tempo, o que significa prolongarmos a vida ativa e com qualidade. Vamos à luta! Todos nós sabemos que o nosso organismo é constituído por milhões de células; microscópicas unidades vivas adaptadas para exercerem funções específicas. Elas precisam estar saudáveis para realizarem suas funções de forma correta, precisa e competente. Por esse motivo o lema do meu blog é “Quanto mais saudáveis forem os nossos comportamentos, maiores são as probabilidades de nossas células serem saudáveis”. O nosso organismo estará saudável quando as nossas células estiverem com saúde. E, isso, em parte, depende de nossos comportamentos. Tenho lido notícias modernas sobre o papel dos exercícios físicos na prevenção de câncer, de Alzheimer, na reversão dos fatores que bloqueiam o emagrecimento e outros. Li, também, sobre o papel da melatonina, que induz o sono e é fabricada pelo cérebro, no combate a doenças psicológicas e no fortalecimento do sistema imunológico. Todos os dias são obtidos mais resultados que confirmam a importância de um ambiente saudável para as células se manterem sadias. A primeira orientação para o bom funcionamento celular é não esquecer nunca que “a própria execução da função é que mantém a capacidade das células, dos tecidos ou dos órgãos de a executarem“. Dito de outra maneira, é o exercício constante da função que mantém essa função eficiente. Consequentemente, o que o corpo não usa, degenera e morre. Se você quer manter suas pernas prontas para andar, tem que constantemente, andar; se você quer manter os dentes tem que mastigar muitas vezes; se quer manter a capacidade de calcular, tem que executar os cálculos com frequência; se quer ter boa postura, tem que estar sempre com a postura correta. Isso exige elaborar e respeitar uma rotina de bons hábitos. Portanto, o primeiro remédio que depende de mim é o uso constante de todas as nossas funções; ao abandonarmos uma atividade, como na aposentadoria, estamos trabalhando contra nós próprios se não a substituirmos por outra similar. A vida moderna nos poupa demais. Continua na próxima postagem...

quinta-feira, 30 de maio de 2024

O estresse não é amigo do idoso – Parte III

Continuação da postagem anterior... Nos últimos 100 anos, a prevenção e o controle dos níveis de estresse têm sido objeto de pesquisa dos cientistas da área da psicologia, psiquiatria e da saúde mental e as publicações relacionadas ao tema são inúmeras. Os traumas, em geral, produzem estresses mais ou menos graves. Uma vez, eu estava no carro com uma amiga, à noite e fui assaltada por um rapaz que apontou uma arma para mim, enquanto me pedia a bolsa. Ele pegou a bolsa e saiu correndo. Toda essa ocorrência não demorou mais de 5 ou 10 minutos. Eu fiquei tremendo e, durante 3 ou 4 meses, qualquer pessoa que chegasse perto do vidro da janela do carro, dava-me uma espécie de choque ou susto e deixava-me a tremer por alguns minutos. Nunca pensei que algo “tão rápido e sem grandes impactos ou consequências” pudesse abalar-me dessa forma. Nos casos de estresse agudo de pouca intensidade como uma contrariedade ocasional, sensações de aborrecimento ou preocupação, discussão e similares podem ser impedidos de ocasionar estresse se procurarmos relaxar, beber um copo de leite morno, tomar um banho quente, conversar com amigos, assistir a vídeos relaxantes, darmo-nos um presente, ouvir uma música agradável, tirar um cochilo, ler um livro interessante ou permitir uns minutos de silêncio ou de meditação. Essas pequenas ações obrigam os pensamentos a saírem dos eventos causadores de estresse e aliviam as pessoas. Assim, uma poderosa arma para a prevenção são as atividades que deslocam o foco para outros objetos que nos deem prazer e aliviam as sensações estressantes. Lembro-me da minha mãe dizer, na minha adolescência, que sempre que eu tinha um “desgosto de amor”, lia um livro o dia inteiro, tricotava, bordava ou jogava jogos de cartas solitários, por muito tempo. Esses pequenos cuidados frequentes podem prevenir o aparecimento dos estresses crônicos porque as atitudes de negar os problemas e as necessidades, constantemente, acabam por permitir a instalação dos estresses crônicos. À noite, quando os problemas ou necessidades ocupam minha mente e me impedem de dormir, um copo de leite, mais um cobertor, um banho quente ou a leitura de um livro ou revista, permitem-me relaxar e adormecer. Um nível mais intenso ou mais demorado de estresse exige cuidados mais sérios. Estes casos não se podem resolver sem a atuação de profissionais especialistas, como psicólogos ou psiquiatras porque podem exigir tratamentos longos ou medicação específica. Nutricionistas podem, também, ser de grande ajuda. Como os estresses são muito desgastantes, vão enfraquecer os organismos e exigem uma alimentação capaz de repor a perda de nutrientes, como frutas, verduras, fibras, cálcio, vitaminas e sais minerais. O aconselhamento desse profissional é muito bem vindo. O tratamento vai exigir, também, atividades físicas mais constantes e sistemáticas, orientadas por especialistas, como professores de educação física ou fisioterapeutas, capazes de proporcionar melhoramentos cardíacos, vasculares, respiratórios, e aumento da resistência e força muscular. A ativação circulatória cerebral, produzida pelo exercício físico, induz a produção de substâncias naturalmente relaxantes e analgésicas, como a endorfina. O sono e o relaxamento podem ser beneficiados pelo aconselhamento profissional para garantir um repouso saudável e auxiliar a recuperação física e mental.

quinta-feira, 23 de maio de 2024

O estresse não é amigo do idoso – Parte II

Continuação da postagem anterior... Os episódios de estresse, chamados de agudos, são intensos, mas de curta duração. Em geral, são provenientes de traumas, como morte de amigos ou familiares, eventos frustrantes, desilusões, fracassos e outros similares. Na vida cotidiana também podemos ser vítimas de programas televisivos estressantes, reclamações constantes, fazer muitas coisas ao mesmo tempo, ignorar suas dores e necessidades, etc. Também ocorrem os estresses de longa duração, constantes no dia a dia, talvez mais suaves, conhecidos por estresses crônicos, mas devido à sua duração longa, podem prejudicar profundamente o indivíduo. Como por exemplo, os abusos emocionais tipo “bullying”, a violência frequente, acontecimentos desagradáveis como ser vítima de assaltos, sequestros, roubos, trabalhar diariamente em atividades desagradáveis, e outros traumas similares. As causas internas são frequentemente causas de estresses crônicos, como, por exemplo, valores pessoais muito rígidos, mágoas antigas, altas expectativas ou dificuldades em dizer não. Tanto os estresses curtos como os crônicos podem causar enormes prejuízos nos seres humanos, dependendo da resposta de cada pessoa, nível de maturidade e seus níveis pessoais de resistência, condições sociais de apoio, e as circunstâncias em que o trauma aconteceu. Os estresses traumáticos, quando não tratados, podem ocasionar muitos estragos, incluindo doenças gastrointestinais, circulatórias, cardíacas, úlceras, tonturas, cansaço excessivo, hipersensibilidade emotiva, e outras. O diagnóstico e as medicações só podem ser indicados por médicos porque é muito difícil o diagnóstico devido à pouca especificidade dos sintomas. Podem, também, terem impacto no desenvolvimento psíquico das crianças, impactos psicológicos tais como inseguranças, baixa autoestima, dificuldades em estabelecer interações e relacionamentos pessoais e outros. Desde o começo do século XX os cientistas estão a trabalhar para conhecer as características do estresse, suas causas, seus mecanismos de ação, os impactos dos episódios de estrese, a prevenção, o controle e, finalmente, os tratamentos físicos e psicológicos. Mas, ainda há muito o que saber, principalmente, nas pessoas idosas. As últimas pesquisas sobre a longevidade humana têm demonstrado que não “controlar os níveis de estresse” aumenta em 20% os riscos de morte precoce. É tão impactante na expectativa de vida quanto o “não consumir álcool compulsivamente” e “ter uma dieta saudável e equilibrada”. A tendência, portanto, é o controle e a prevenção desse fator. O primeiro passo do controle e da prevenção é o autoconhecimento para identificar, em si próprio, os sintomas que caracterizam o estado de estresse. Agora, aos 82 anos, quando eu sinto um mal-estar geral e indefinido, estou tensa, sinto dores de estomago ou musculares, nervosa, preocupada com algo ou tenho episódios de desiquilíbrio ou tonturas, levanto a hipótese de estar estressada e começo a tomar as iniciativas para relaxar. Continua na próxima postagem...

quinta-feira, 16 de maio de 2024

O estresse não é amigo do idoso – Parte I

No período inicial da pandemia de COVID-19, numa manhã, eu estava tranquilamente sentada no escritório, quando comecei a sentir um zumbido no ouvido, senti-me enjoada, a cabeça rodando e o corpo desiquilibrado. Fiquei em pânico. Resolvi levantar-me e andar agarrada às paredes até ao quanto para deitar-me e não cair. Vomitei o que podia e o que não podia. Consegui dormir por cerca de uma hora e acordei melhor. Fui ao médico que diagnosticou estresse. Um mês depois, comecei a sentir um mal-estar intenso, mas mal definido e fui ao pronto socorro onde o médico aconselhou-me a desligar a televisão, tomar chá de camomila, tomar muitos líquidos e alimentação à base de frutas e verduras porque eu estava com estresse. Fiquei boa em pouco tempo. O que se chama estresse é um estado do organismo proveniente de uma grande descarga de adrenalina (hormônio das glândulas suprarrenais) que prepara o corpo e a mente para enfrentar um risco ameaçador à sobrevivência, fugindo, lutando ou defendendo-se. Sempre que o cérebro humano percebe um perigo as glândulas suprarrenais reagem rapidamente, produzindo e liberando no sangue esse hormônio. Esse hormônio tem a capacidade de colocar o organismo em “alta tensão” para preparar-se para a luta. É uma reação biológica que permite a adaptação do ser humano a situações novas, mas provoca alterações emocionais e físicas com grande desgaste. Depois, o corpo volta à normalidade. Quando a tensão dura muito tempo ou é maior do que a capacidade do organismo de aguentar, instala-se o estresse. Segundo a literatura, no começo do século XX, o médico austríaco, Hans Seyle, descobridor desse estado ou condição, utilizou o termo “stress” que significa na engenharia “o peso que uma ponte suporta até que se parta”. Esse preparo do corpo para o enfrentamento é caracterizado por um aumento da pressão arterial, taquicardia (batimentos rápidos do coração), deixa os músculos tensos, a boca seca, as mãos frias e úmidas, a pupila dilatada, o pensamento mais ágil e os reflexos mais rápidos. Essa situação exige muita energia e desgasta o organismo rapidamente. Cada pessoa percebe o estado de estresse de uma forma diferente: sente dor de cabeça, dor nos ombros, vermelhidão na pele, dificuldade para dormir, dificuldade para relaxar e descansar, ansiedade, nervosismo, inquietação, irritação, etc. Como o indivíduo com muita idade é mais vulnerável e mais frágil, o estrago pelo estresse é muito maior e sua resistência à pressão é muito menor. Qualquer problema menos grave, qualquer contrariedade ou dificuldade pode dar origem a uma crise de estresse. Continua na próxima postagem...

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Equilíbrio postural, fundamental para a mobilidade humana – Prevenção de quedas

Continuação da postagem anterior Outro cuidado, independente do diagnóstico médico, é o preparo do ambiente para a prevenção de quedas. As pesquisas científicas têm demonstrado que a maioria das internações hospitalares de idosos são ocasionadas por quedas e suas consequências. O idoso que sofreu um episódio de desequilíbrio está ainda mais sujeito a acidentes durante sua movimentação. Portanto, é necessária a tomada de iniciativas adequadas para tornar o ambiente mais seguro para o seu usuário, tais como, providenciar: - Espaços mais amplos para passagem de andadores, bengalas e cadeiras de roda. - Iluminação apropriada de corredores e ambientes de uso frequente. - Retirada de objetos que possam ocasionar acidentes, tipo tapetes, vasos e objetos passiveis de cair, cadeiras mais instáveis, mesinhas e banquinhos que bloqueiam as passagens etc. - Pisos não escorregadios e apoios em banheiros, escadas e corredores. - Artefatos de apoio: bengalas, andadores, cadeiras de roda e outros. - Recursos domésticos com alturas diferenciadas, tipo pias mais baixas, sanitários mais altos, lavatórios mais baixos etc. Para complementar essas iniciativas relacionadas ao ambiente, é necessária uma organização do contexto que inclua vigilância do atendimento às necessidades básicas, orientações seguras por especialistas, tratamentos de problemas físicos e cuidados com a mobilidade, incluindo pés e calçados. Quando comecei a sentir alguns sintomas de falta de equilíbrio postural, no ano passado, além da ajuda e aconselhamento médico, contei com a orientação de fisioterapeutas e professores de educação física que muito contribuíram para a melhoria alcançada. Para estimular-me contei com a ajuda de alguns vídeos, criados por profissionais experientes, com exercícios especiais para melhorar o equilíbrio postural do idoso. O fortalecimento da musculatura é imprescindível. Hoje, 2 ou 3 vezes por semana, executo esses exercícios. Quase não me lembro dos meus episódios de desequilíbrio e já avisei o médico dos bons resultados das iniciativas tomadas. Falando em médico, para finalizar, queremos reforçar a importância da continuação do controle médico periódico. Esse controle médico pode prevenir muitos problemas. No âmbito da prevenção, eu comprometi-me com alguns cuidados pessoais para prevenir qualquer queda e acidente, com a ajuda dos meus filhos. Não subo em bancos, escadas e similares se não tiver alguém do meu lado; retirei tapetes e substitui solos escorregadios antes de ter algum acidente; coloquei corrimões e peças auxiliares nos banheiros antes de precisar usá-los; adaptei uma bengala ao meu tamanho antes de precisar dela; criei uma folha de informações de urgência para o caso de ser levada para algum hospital e coloquei essa folha na bolsa e em lugar visível em casa. Na última reforma da casa já a adaptei para a minha velhice.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

Equilíbrio postural, fundamental para a mobilidade humana – Parte II

Continuação da postagem anterior... Em resumo, o controle postural depende do funcionamento sincronizado, quase instantâneo e em perfeito estado, de um complexo sistema composto por vários órgãos. Em caso da existência de problemas, os profissionais especializados precisam estudar e analisar a exata origem da dificuldade. É no cérebro? Nos músculos? Nos ouvidos (labirinto)? Na visão? Na pele? Nos ossos, articulações, tendões e outros? Atualmente, a medicina já pode contar com o auxílio de vários exames complementares para decidir sobre o diagnóstico e a conduta terapêutica a seguir. O envelhecimento vai degradando a habilidade das funções e tende a comprometer lentamente as várias partes do sistema do equilíbrio e da consciência corporal ocasionando quedas e acidentes extremamente graves. Essas quedas são as principais causas de internações hospitalares e, com frequência, produzem sequelas graves e até a morte em idosos. Portanto, é necessário aprender e estar alerta para os sintomas da falta do equilíbrio e as intervenções para prevenir o desiquilíbrio e suas consequências. Esses episódios podem impedir as atividades cotidianas, a marcha, a manutenção dos contatos sociais e outros. Além disso, ocasiona uma grande insegurança e torna-se um fator impeditivo da vida ativa e independente do indivíduo. Entre os sintomas mais frequentes, destaca-se a tontura, a sensação de desiquilíbrio, as oscilações involuntárias do corpo, a sensação do ambiente rodando e a dificuldade de manter o corpo estável. O primeiro cuidado é procurar um médico para conhecer os aspectos que ocasionaram o episódio de desequilíbrio ou controle da postura corporal: alterações do sistema vestibular (no ouvido), alterações neuromotoras, diminuição da força muscular, medicação, estresse, desidratação, depressão e outras. Esse médico pode rever medicações, encaminhar a especialistas, orientar sobre os cuidados a tomar etc. Quando acontece comigo, imediatamente aumento a hidratação, revejo se houve problemas de estresse, faço exercícios de relaxamento muscular, incluindo banhos mornos e descanso, passo creme nas plantas dos pés por serem muito bem servidos de terminações nervosas, aqueço os pés para aumentar a circulação local e fico alerta para observar as reações. Se não consigo sanar os problemas em algumas horas, vou ao médico. Os fisioterapeutas também são profissionais preparados para escolher os exercícios mais apropriados para sanar esses problemas. Paralelamente, é importante a implementação vigorosa dos cuidados gerais, como exercícios, alimentação saudável, lazer, sono e repouso adequados, medicação correta e contínua, ginástica cerebral, autovigilância cuidadosa e outros que sejam possíveis. Sempre que algo não está correndo bem com nossas células, é necessário que reforcemos esses cuidados gerais para complementar o tratamento médico. Não podemos esquecer que os melhores remédios estão dentro de nós; o importante é ativá-los. Continua na próxima postagem....

quinta-feira, 25 de abril de 2024

Equilíbrio postural, fundamental para a mobilidade humana – Parte I

Completei 82 anos e já enfrentei alguns momentos de falhas no equilíbrio do meu corpo. Parecia que eu não controlava as posições do corpo, durante a movimentação. Cheguei a raspar a perna numa parede por não conseguir alterar sua posição durante a caminhada. Essas experiências motivaram a procura de informações confiáveis em artigos científicos, de autores reconhecidos. Apresento, aqui, a síntese do que aprendi. Para o ser humano manter-se equilibrado durante a movimentação, existe um sistema bastante sofisticado, que atua sob o controle do cerebelo, um órgão situado na parte posterior, dentro do crânio. Esse equilíbrio permite ao nosso corpo movimentar-se livremente no meio ambiente sem se atrapalhar com as instabilidades ocasionadas pela força da gravidade. Vamos explicar. Em todos os nossos ossos, músculos, pele, tendões, articulações e outros existem terminações nervosas que levam ao cerebelo milhares de informações sobre as posições, sensações e movimentos corporais e permite que esse órgão controle e mantenha o equilíbrio do nosso corpo. Essas informações são processadas pelo cerebelo quase instantaneamente. Além desse sistema, também participam desse processo a visão, a audição e o vestibular do ouvido interno, o labirinto. É um processo automático e inconsciente; não o sentimos e nem o controlamos voluntariamente. É o que nos permite andar e mexer sem cair e conhecermos onde estão todas as partes do nosso corpo, mesmo de olhos fechados. Podemos dar uma cambalhota que não perdemos a consciência da localização das várias partes corporais. Essa capacidade é chamada consciência corporal e seu desenvolvimento e bom funcionamento são imprescindíveis para a nossa movimentação. Portanto, é essencial para a nossa qualidade de vida. Além dessa sofisticada combinação o equilíbrio precisa da atuação competente dos músculos responsáveis pela mobilidade do nosso corpo. Todo esse conjunto de órgãos é responsável pelo equilíbrio estático, com o indivíduo parado, e o equilíbrio dinâmico, com o indivíduo se movimentando no meio ambiente, bem como pela consciência corporal. A cinestesia e a propriocepção são termos usados pelos cientistas para chamar a capacidade do indivíduo de perceber ou ter consciência da posição das diversas partes do seu corpo. Continua na próxima postagem…

quinta-feira, 18 de abril de 2024

A solidão como companheira da velhice. Parte III

Continuação da postagem anterior Um dia, em 1995, percebi que eu passaria a noite da passagem de ano sozinha e senti que não tinha vontade de encarar essa noite assim. Será que não haveria outras pessoas conhecidas que estivessem na mesma situação? Telefonei e encontrei três ou quatro amigos que gostariam de companhia nessa noite. Fizemos um lanche em que todos colaboraram, cantamos e ouvimos músicas conhecidas, contamos histórias e casos, contamos piadas, rimos muito de nossas aflições passadas, enfim, passamos uma noite muito boa. Aprendi a lição e a tenho repetido muitas vezes. Nós podemos manter o controle de nossas vidas durante muito tempo. É muito saudável. A primeira atitude positiva é admitir que precisamos da presença dos membros da nossa família, dos nossos amigos e das pessoas com quem temos ligações afetivas. O convívio com os elementos significativos mantém-nos alertas, motivados, autoconfiantes, com objetivos precisos, capazes de interagir e aprender, enfim, vivos. Uma pesquisa do Instituto Politécnico de Viana do Castelo (Portugal) demonstrou que quem sai de casa com mais frequência e tem múltiplas relações de amizade são os que menos se queixam de solidão e avaliam melhor a qualidade de sua vida. A segunda atitude aconselhável é impedir que a timidez bloqueie nossas iniciativas; apesar de difícil, temos que perder o medo de pedir ajuda. Não podemos nos “auto mutilar”. Vale a pena tentar muitas vezes e treinar para superarmos a nossa timidez. A única forma de vencer a timidez é tentar superá-la muitas vezes. É praticar a superação. Outra “dica” que pode ajudar é treinar nossa criatividade para encontrarmos ou criarmos oportunidades de agrupar as pessoas ao nosso redor; precisamos delas e, talvez, elas de nós. Podemos organizar, entre os nossos amigos, reuniões, visitas, jantares, lanches, viagens, teatro, cinema, eventos musicais, passeios, atividades grupais como dança, canto, ginástica, jogos, trabalhos manuais e outras. Há pessoas que, naturalmente, criam vínculos e mantêm as pessoas unidas; outros têm que fazer algum esforço. Mas os benefícios que retornam mostram o enorme valor desse esforço. Finalmente, tente conhecer-se e respeitar seus gostos, seus horários e preferências. Amigos e familiares, ao ler este texto têm me presenteado com depoimentos muito interessantes. Descrevem-me suas iniciativas com o uso da criatividade e com respeito por suas preferências. Mas, quanto mais o tempo passa, mais difícil controlar essas situações. A longevidade é cara; exige um preço muito alto.

quinta-feira, 11 de abril de 2024

A solidão como companheira da velhice. Parte II

Continuação da postagem anterior Sempre ouvia falar em solidão e não sabia realmente o que sentimos quando temos solidão. É estar sozinha? Acho que não, porque até gosto de ter tempo para fazer as coisas que só podemos fazer sozinhos. O professor, historiador e filósofo, Leandro Karnal, em seu livro, O dilema do porco espinho – como encarar a solidão (Planeta do Brasil, 2018), afirma que o fato de não podermos controlar o nosso isolamento de outras pessoas é o que define a solidão. Muitas vezes preciso de alguém do meu lado e, em outros momentos, preciso de isolamento. O controle dessas duas situações é a chave que transforma o bem-estar da privacidade em solidão. Dói não ter companhia, atenção, carinho, ouvido para desabafar, uma voz para dar força, uma sensação de que somos amados ou uma presença para nos animar quando a desejamos e é desconfortável querer estar com a atenção interiorizada e alguém solicitá-la além dos nossos limites. Afinal, é a falta de liberdade e controle da nossa vida o que nos incomoda. Enquanto o ficar só é essencial à nossa maturidade, a solidão é sentida como dor, desconforto, tristeza profunda e mal estar. Mas, cada pessoa reage de forma diferente; enquanto para alguns o estar sozinho nunca é confortável, para outros passa despercebido, sem sensações pouco agradáveis. O sentimento de solidão é tão frequente que quase se torna sinônimo da velhice. Os grandes centros urbanos e a vida moderna têm reforçado muito essa triste situação. O idoso torna-se um ser sem o direito e a capacidade de controlar sua própria vida e muito menos controlar a quantidade do seu isolamento. As pesquisas ainda são muito poucas. Parece que a vida em residências ou lares para idosos não evita a sensação de solidão porque são os idosos que vivem em instituições aqueles que mais se queixam e apresentam sintomas de depressão com maior frequência. Não é a presença de qualquer pessoa que nos impede de sentir solidão. A reclamação recai sobre o afastamento das pessoas significativas ou com algum vínculo afetivo e o estreitamento do círculo social. Os velhos amigos da mesma geração têm afinidades e vivências comuns e podem proporcionar um intenso conforto social. Portanto, todos os esforços devem ser dirigidos para manter a mobilidade e podermos ir até àqueles que nos fazem falta. A interação social é preciosa para nós. Mesmo assim, vamos perdendo esses velhos e preciosos amigos. Continua na próxima postagem...

quinta-feira, 4 de abril de 2024

A solidão como companheira da velhice - Parte I

Se falamos de envelhecimento não podemos esquecer de falar de solidão. Com frequência são companheiras uma da outra. Muitas pesquisas têm mostrado que a solidão é muito comum na fase da “muito idade”. Os filhos criados e independentes, a distância cultural das novas gerações, a falta de ocupação decorrente da aposentadoria, a perda ou a incapacitação dos velhos amigos de sempre, a família sem a estrutura estável, as mudanças impostas pelas necessidades de auxílio e os problemas de saúde cada vez mais incapacitantes são as principais causas da solidão muitas vezes traduzida por abandono e sensação de rejeição. “Eu fui esquecido”. Ainda me lembro da minha casa quando eu tinha 38 anos. Era grande: três quartos, três banheiros, duas salas, um escritório amplo, alojamento para empregada, área de serviço espaçosa, quintal ensolarado para horta e jardim e garagem. Morávamos meu marido e eu, duas crianças – uma com 11 e outra com oito anos, e duas empregadas. Eu trabalhava meio período e gerenciava o contexto doméstico. Só conseguia estudar para o mestrado de madrugada, quando todos dormiam. Se me falassem de solidão na época eu pensava como seria bom ter algumas horas livres para pensar, refletir, assimilar minhas alegrias, conquistas e frustrações. O tempo livre era sempre escasso e eu sonhava com ele. A família cresceu, divorciei-me, as empregadas foram reduzidas, mudei-me para um apartamento em outro bairro, um dos filhos foi estudar fora da cidade, fui emprestada para outra universidade estadual por três anos e fui estudar na França com a minha filha durante dois anos. O meu mundo mudou e eu, enfim, tinha mais tempo para ficar sozinha. Gostei muito porque a liberdade para ir e vir aumentou, podia usar o meu tempo como eu quisesse, menos pessoas solicitavam minha atenção e poderia dedicar-me ao meu trabalho e às atividades de que gostava. Mas nem todos são iguais; algumas pessoas chegam a ligar televisão ou som para sentirem que estão acompanhadas e fugirem da solidão. Continua na próxima postagem...

quinta-feira, 28 de março de 2024

RECREIO - O Conceito da beleza outonal

(Colaboração da amiga Maria Alice Almeida Vianna Queiroz) A Maria Alice nos contou esta história: Em entrevista, a Primeira-Dama Francesa, expressou uma opinião muito importante para as mulheres mais idosas. Ela explicou que “A partir dos 50 ou 60 anos, a beleza é o resultado da simpatia, da elegância, da atitude e não mais do seu corpo ou dos traços físicos. A beleza torna-se um estado de espírito, temperamento, brilho nos olhos. A sensualidade vai surgir mais da sensibilidade do que da aparência. Uma mulher chata, deprimida ou desagradável pode ser bonita antes dos 50 anos. Uma mulher egoísta, oportunista, ou covarde pode ser bonita antes dos 50 anos. Depois, já não pode, acaba a aparência. Depois, o que ilumina a pele é ela ser amada ou não, se é educada, se é simpática. Depois de uma certa idade, a beleza vem do caráter, do jeito que os problemas são enfrentados, da alegria ao acordar, da atitude. Com uma certa idade, a amizade é o creme que estica as rugas e o afeto é o protetor solar que protege o rosto. A beleza passa a ser a comunicação e o bom humor. A beleza passa a ser a inteligência e a gentileza. Depois dos 50, 70 ou os que vierem depois, só a felicidade rejuvenesce.” (Sem indicação da fonte)

quinta-feira, 21 de março de 2024

A vulnerabilidade como companheira da velhice

A palavra vulnerabilidade não é muito usada nas conversas informais. Trata-se de uma condição de fragilidade que o idoso enfrenta devido à natural degradação do seu organismo. Todas as pessoas com mais idade sentem-se mais suscetíveis de lesões e, não só físicas, como mentais. Parece que a nossa força, resistência e capacidade de enfrentamento ficaram mais frágeis. Todos os dias acontece algo, de pouca importância, que me faz lembrar da minha vulnerabilidade. Bato com o braço em uma porta, imediatamente, um capilar venoso se lesa e deixa escapar um pouco de sangue. Manchas roxas são mais comuns que em outros tempos. Coloco um pouco de gelo, por 10 minutos, durante alguns dias e o problema desaparece. Algumas vezes, com baixas temperaturas, os pés demoram para aquecer, coloco umas meias e uma bolsa de água quente e o problema é solucionado. Um cão amigo pula para cumprimentar-me, arranha-me e tenho que lavar a lesão muito bem com água e sabão e colocar um pequeno curativo. Uns minutos com gelo, durante 3 dias, ajuda a cicatrização. Há alguns anos percebi que os meus sentidos não estão tão alertas e sensíveis; a sede e a fome já não dão grandes sinais e tenho que comer e beber quantidades decididas por hábito ou racionalidade porque a sensibilidade não dá as informações muito precisas. E as histórias se repetem e multiplicam-se ao longo dos dias. Sob o ponto de vista físico também aparecem as fragilidades mais graves, as infecções são mais rápidas em surgir, o equilíbrio ao movimentar-me já me parece menos seguro e as feridas são mais demoradas para se curarem. Ponho a funcionar, com mais precisão os comportamentos saudáveis, as caminhadas e a atividade física planejada, musculação ou outra, mais frequente, a alimentação mais rica e diversificada em nutrientes, as noites mais longas e com mais cuidados nos horários, as interações sociais mais frequentes e assim por diante. A vitamina C e a D passam a ser priorizadas para ajudarem o sistema imunológico. Com isso espero que minhas células vivam em ambiente mais saudável e funcionem melhor. Mas eu estou mais frágil! A vulnerabilidade destaca-se, também, no funcionamento mental. Fico mais desfocada e menos concentrada em todas as atividades, qualquer acontecimento inesperado faz meu coração bater mais rápido, esqueço com facilidade o que sempre lembrei e o estresse instala-se rapidamente mesmo diante de pequenas pressões. Um fato inesperado desagradável, um temor de pouca importância, uma solução que não encontro para superar uma dificuldade e outros desafios similares ocasionam um estresse que altera o meu dia e provoca desequilíbrios, mal-estar, diminuição do foco, esquecimentos estranhos, falta de concentração, pouco rendimento naquilo que faço e outros sinais e sintomas nunca dantes experimentados frente a fatos de tão pequena importância. Outro dia, na primeira consulta com um médico, esqueci o número do meu telefone; só no final da consulta, quando eu já estava mais à vontade, o lembrei. E o tempo para sair da crise de estresse é muito maior; atingir o estado de relaxamento é muito demorado. Agora, mais experiente, para conviver melhor com o estresse, tento percebê-lo com rapidez e iniciar as estratégias de proteção: mudar a atividade, aumentar o exercício, ler um livro que leva meus pensamentos para outros lugares e ambientes, comer e beber algumas substâncias muito gostosas, vou para um parque andar e ver pessoas, telefono para amigos e assim por diante. Não há dúvida, pessoas idosas são diferentes de adultos de meia idade. Não sei se os médicos geriatras estão atentos e podem ajudar. Os adultos mais jovens não podem compreender todas as diferenças e as particularidades dos velhos. Consequentemente, se quisermos ser compreendidos e respeitados temos que ajudar os mais novos, explicar de forma precisa e clara as nossas diferenças e repetir, quantas vezes forem necessárias essas explicações.

segunda-feira, 18 de março de 2024

Uma companheira da velhice: a insegurança - Parte II

Continuação da postagem anterior Até a andar sinto mais insegurança apesar dos músculos estarem bem treinados com exercícios diários. Outro dia, durante uma caminhada, ao dar uma volta, meu corpo se inclinou, involuntariamente e raspei a perna em um muro. Não segurei o corpo e não mantive o controle do andar. Fui para casa, lavei tudo com água e sabão e continuei o meu exercício. Que esquisito! Que andar inseguro! Tarefas mais complexas como atender os compromissos bancários, fazer transações financeiras ou fazer as declarações de imposto de renda já são encaradas com maior cuidado e apelo para várias revisões a fim de impedir enganos, esquecimentos e outros erros. Enquanto não tenho certeza que não há falhas não dou por terminada a tarefa. Mesmo assim, peço para alguém capacitado revisar e aceito, com facilidade, a correção de algum erro. Se essas tarefas envolvem o uso de tecnologia moderna, instala-se um nível de insegurança maior. A própria redação destes textos é realizada com os maiores cuidados, revisados detalhadamente várias vezes e peço a amigos capazes para corrigirem qualquer engano ou deficiência. A insegurança tornou-se uma companheira cada vez mais presente. Mas não me dou por vencida; luto para não me entregar, para não me afastar da vida e do mundo. Encaro a insegurança; estudo se ela tem um motivo real, admissível, ou racional. Se não vejo uma causa concreta, encaro o desafio e vou. Se me deixo vencer por ela, estou prejudicando meu cérebro e estimulando a minha degradação. Qualquer desistência é um passo para trás. Até agora, consigo ir para a frente e enfrentar essa sensação de que “não sou capaz” de fazer o que sempre fiz. Mas, estou sempre a desejar que a coragem não me falte. Eu sempre fui uma mulher muito segura e, até certo ponto, ainda sou ou tento ser. Acredito, que para os homens, os problemas de falta de segurança nos vários papéis que eles desempenham no mundo, também os incomoda, mesmo que em aspectos e intensidades diferentes. Acredito que os anos vão aumentando os problemas e tento achar soluções mais adequadas e aceitar as dificuldades intransponíveis. A atitude de enfrentamento, a ajuda dos outros e a contratação de profissionais especializados São, por enquanto, as soluções mais adequadas.