quinta-feira, 22 de setembro de 2022

O sono é fundamental para a saúde (já publicado) – Parte III

Continuação da postagem anterior ... Hoje, aos 80 anos durmo de sete a oito horas diárias com dois despertares noturnos. Às vezes demoro acordada durante a noite à volta de uma hora e meia, leio um pouco, faço exercícios mentais, tomo um copo de leite morno, faço exercícios de relaxamento corporal e torno a adormecer. Acordo, depois de completar sete ou oito horas, muito bem e animada para iniciar as minhas atividades. Mantenho-me ativa durante todo o dia, não tomo medicamentos para dormir. Só uso medicamentos prescritos, em dosagem muito baixa, quando passo mais de três ou quatro noites sem dormir e não consigo recuperar o sono. Tenho medo dos malefícios da insônia crônica. Mas isto acontece, em média, duas ou três vezes ao ano. Para ajudar a adormecer, leio todos os dias algumas páginas de um livro interessante. Fiz da leitura um hábito que tem substituído os medicamentos de forma eficiente. Outra vantagem da leitura é que ela afasta o pensamento da ansiedade e das preocupações, além de ser considerada ótima atividade para exercitar o cérebro e manter atualizado o nosso contato com o mundo. Chego a ler um ou dois livros por semana. Os especialistas aconselham a manutenção de rotinas diárias incluindo horários de adormecer. Aconselham, também, a prática sistemática de exercícios físicos, alimentação variada e balanceada, vida ativa, boas interações familiares e sociais, lazer e estímulos agradáveis. O ambiente também pode auxiliar: quarto escuro, temperatura agradável, silêncio noturno, tranquilidade, comodidade da cama e do quarto, condições para exercer as atividades preferidas e ter um alto grau de independência e autonomia pessoais. Tomar sol por algum tempo também melhora o sono; para mim, este recurso é um dos mais eficientes. Em 2002 a Organização Mundial de Saúde (OMS) indicou a acupuntura e a meditação para o tratamento complementar de diversas doenças, incluindo as desordens de ordem psicológica e emocional. Paralelamente, alguns artigos publicados em revistas científicas reconhecidas têm mostrado que a acupuntura, realizada por especialista, pode auxiliar o idoso a recuperar seu sono saudável. Parece que a acupuntura regula a secreção de melatonina e a liberação de endorfina, um analgésico que nosso corpo fabrica de forma natural. Da mesma forma, a meditação tem sido muito estudada e indicada para complementar o tratamento de transtornos relacionados ao estresse, ansiedade, dores, desconfortos e insônias. Boa noite!!!!

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

O sono é fundamental para a saúde (já publicado) – Parte II

Continuação da postagem anterior... As necessidades humanas de sono diário nas várias etapas da vida - recém-nascidos, crianças e jovens - já são bem conhecidas. Sabe-se, também, que há variações de indivíduo para indivíduo e que existem vários determinantes pessoais e contextuais que auxiliam a pessoa a dormir melhor ou pior. Quanto ao sono do idoso, ainda há muito a ser pesquisado e estudado, mas, já se sabe que, mais da metade dos idosos têm problemas relacionados ao sono motivados por dor ou desconforto físico, fatores ambientais, ansiedade, estresse, preocupações e outros desconfortos emocionais, medicamentos e alterações na saúde. As modificações no padrão do sono alteram o equilíbrio orgânico (balanço homeostático) e têm impacto negativo no sistema imunológico, nas funções psicológicas, no desempenho geral, no humor, aumentam o aparecimento de comportamentos alterados, aumentam as dificuldades de recuperação e diminui a habilidade de adaptação. A incapacidade para dormir bem está relacionada com a diminuição mais acentuada da função cognitiva, maiores riscos de quedas e acidentes, prejuízos nas funções respiratórias e cardiovasculares, necessidade antecipada de cuidadores e aumento da mortalidade dos idosos. Os principais sintomas de sono não saudável no idoso são: dificuldade para iniciar o sono (insônia inicial), acordar muitas vezes durante a noite, ficar na cama muito tempo sem dormir, sonolência diurna, insônia terminal ou dormir pouco tempo, uso de drogas para dormir e cochilos muito frequentes durante o dia. Por outro lado, os padrões do sono no envelhecimento saudável são: tempo diário de sono noturno, em média, à volta de seis a sete horas; cerca de três ou quatro despertares noturnos; poucos cochilos diurnos; tendência a deitar e acordar mais cedo e sensação de bem estar ao acordar, ou seja, sentir que dormiu o suficiente e está descansado. Os cientistas acham que ainda devem ser realizados mais estudos para confirmar os padrões normais do sono das pessoas idosas. Em outras palavras, há muitas dúvidas do que é normal para o idoso e o que é realmente problema. Continua na próxima postagem...

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

O sono é fundamental para a saúde (já publicado) – Parte I

Até há poucos anos escutei dizer que “quem madruga Deus ajuda”. Antigamente, os pais acordavam as crianças cedo para lhes incutir “bons hábitos”. Pensavam que dar bom exemplo era acordar cedo e dormir poucas horas por dia porque era sinal de pessoa trabalhadora e ativa. As pessoas tinham orgulho em dizer que se sentiam muito bem dormindo apenas quatro ou cinco horas por dia. Dormir, para as gerações passadas, era sinônimo de preguiça. Aos 15 anos eu dormia cerca de oito a nove horas diariamente e, se não completava a porção de sono necessária, passava o dia todo sonolenta. Não falava muito sobre isso para não dizerem que eu era preguiçosa. Percebi também que, quando ficava uma noite sem dormir, no dia seguinte precisava dormir o dobro do tempo. Os meus pais eram sábios, respeitavam muito a minha necessidade de sono e favoreciam as condições para que eu pudesse dormir o tempo que fosse necessário. Eles também dormiam muito bem. A partir de meados do século passado o conhecimento científico sobre o sono se desenvolveu muito devido ao aparecimento de instrumentos especializados e bastante precisos que podiam captar informações cerebrais com maior acuidade e confiabilidade. Assim, as pesquisas científicas puderam intensificar-se e, atualmente, já está demonstrado que dormir o necessário e descansar após exercícios físicos intensos são importantes para a saúde. O sono é uma necessidade fisiológica com importante função restauradora e reguladora de todo o organismo, necessária para a preservação da vida saudável. Isso justifica o indivíduo estar atento à qualidade dessa função e procurar auxílio profissional sempre que note alterações. Parece que o sono é induzido pela liberação do hormônio hipofisário, a melatonina. Alguns horários durante as 24 horas do dia, como madrugada e após o almoço, favorecem a liberação dessa substância. A exposição ao sol, a ingestão de carboidratos e banhos mornos são alguns fatores que também aumentam a produção de melatonina. Esses agentes podem ser usados para melhorar a qualidade do sono nos idosos. Continua na próxima postagem...

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Cohousing sênior: uma forma de morar

ENTREVISTA Com Bento da Costa Carvalho Júnior, 74 e Neusa da Costa Carvalho,72, são estudiosos de cohousing e envelhecimento desde 2013. Bento é engenheiro de alimentos e professor da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) aposentado e integrou várias diretorias da Associação de Docentes daquela instituição (ADUNICAMP). Neusa é professora aposentada de inglês e português de uma instituição reconhecida de Ensino Médio. Ambos participaram do Grupo de Trabalho sobre Moradia da Adunicamp; como tal participaram da proposta de cohousing sênior “Vila ConViver”. Ambos fazem parte do grupo responsável pela implantação do site brasileiro https://www.cohousingemrede.com.br MRF – Em linhas gerais vocês poderiam explicar o que é “cohousing”? BCCJ/NCC – É um tipo de comunidade residencial construída por um projeto arquitetônico definido pelos próprios moradores, dotado de facilidades e serviços comuns e caracterizada por um gerenciamento participativo e não hierárquico com vistas a garantir uma melhor qualidade de vida, saúde e longevidade. Nesse tipo de moradia, na etapa de definição do programa de necessidades para a elaboração do projeto arquitetônico, busca-se prever uma ampla gama de espaços onde ocorrerão atividades que promovam interação entre os moradores. Praticamente a totalidade dessas atividades têm por objetivo promover a formação de laços e vínculos, o desenvolvimento cognitivo continuado e a manutenção da saúde física por meio de alimentação saudável, exercícios físicos e sono de qualidade. A integração do paisagismo à arquitetura física da “cohousing” visa a criação de um conjunto que integre os moradores e a natureza à espiritualidade. É através desse projeto intencional, que promove a interação na comunidade ao longo dos dias e anos, que se forma o capital social, traduzido em solidariedade e apoio mútuo entre os moradores. O projeto arquitetônico, geralmente, é constituído pelas moradias individuas, uma casa comum (com cozinha, refeitório, academia ou sala de exercícios físicos, oficinas variadas, salas de atividades, lavanderia e outros ambientes de interesse), quartos/apartamentos para hóspedes, estacionamento, jardins e paisagismo estimulante. MRF - Quais a suas vantagens quando comparada a outros estilos de moradia para idosos? Já há dados estatísticos; você poderia nos informar dos mais importantes? BCCJ/NCC - As principais vantagens desse tipo de moradia intencional são a qualidade de vida, a longevidade de seus moradores e a redução dos custos com manutenção da saúde. Pelo exposto, verifica-se que é um estilo que provê privacidade e individualidade; segurança e vigilância contínuas, proteção e apoio, vida social e interações multigeracionais na medida das necessidades individuais, estímulos cognitivos e sensoriais e auxílio à manutenção das necessidades básicas com foco na saúde e bem estar. Estudos feitos na Dinamarca mostraram que moradores de “cohousing” viviam em média seis anos a mais que a média da população, iam menos a médicos e tomavam menos medicamentos, economizando mais de trinta mil dólares/morador/ano para o sistema de saúde dinamarquês. MRF – Para se conseguir organizar um cohousing é necessária a construção da infraestrutura ou pode-se aproveitar estruturas (prédios ou condomínios) já existentes? BCCJ/NCC - Como se trata é uma comunidade residencial intencional significa que todos os seus moradores optaram por viver esse modelo. Parte deles vai viver o modelo intensamente, parte vai desfrutar os aspectos que mais lhes atraem. Desde que assim decidam, os moradores de um condomínio, horizontal ou vertical já existente, podem, como numa “cohousing”, usufruir das facilidades disponíveis nos condomínios para uma interação social mais intensa, ou mesmo implantar outras facilidades não previstas originalmente. Hoje já temos no Brasil empresas com histórico comprovado no design de convívio em condomínios e comunidades. MRF – Quais as principais iniciativas brasileiras e onde elas se encontram? BCCJ/NCC – Atualmente, temos conhecimento de vinte e oito grupos trabalhando para implantar “cohousing” no Brasil, em áreas urbanas, suburbanas e rurais, na praia e na montanha. Esses grupos estão distribuídos pelos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Sergipe. MRF – É muito difícil organizar uma “cohousing”? BCCJ/NCC – A primeira “cohousing” sênior foi inaugurada em 1987, na Dinamarca, quinze anos depois da implantação da primeira “cohousing” multigeracional implantada nesse país. Nessa época, a implantação dessa modalidade de moradia podia demorar 8 anos ou mais e cerca de 80% dos grupos acabavam desistindo. Em 1995 um instituto de pesquisas dinamarquês sobre o bem-estar desenvolveu uma metodologia para diminuir o tempo de implantação desse tipo de comunidade. Hoje, nos Estados Unidos, o tempo de implantação das comunidades mais eficazes é da ordem de três anos, graças à existência de arquitetos e facilitadores experientes com o modelo. Com o objetivo de divulgar as experiências acumuladas no exterior por grupos que implantaram “cohousing” e acelerar a implantação desse tipo de comunidade no Brasil, foi lançado recentemente o site www.cohousingemrede.com.br.

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

A habitação na muita idade: morando sozinho – A decoração

CO-AUTORIA – Arquiteta Cecilia Lourenço Góes, 36 anos, graduada pela Universidade de São Paulo, com 13 anos de experiência na área. Trabalha em projetos residenciais, institucionais e públicos no escritório MGóes Arquitetura e Design, em São Paulo. Continuação da postagem anterior A decoração é um aspecto muito importante pelo fato de ser altamente individual e tocar profundamente a sensibilidade humana. O gostar ou não gostar é particular e indiscutível. Objetos, formatos, cores, espaços, texturas e outros possuem algum significado, mexem com as emoções, despertam recordações boas ou más, estimulam sentimentos. O “design de interiores” não pode abster-se desses significados e o projetista precisa interpretar essas dimensões e, simultaneamente, atender às sensações de abrigo, conforto, segurança e funcionalidade. Isso inclui que um lar jamais pode parecer um hospital, uma fábrica, uma indústria ou uma prisão. A decoração sugerida pelos idosos em pesquisas específicas valoriza o contato com a natureza (grandes janelas com muita luminosidade e ventilação naturais, sol, paisagens, canto dos pássaros, folhagens e flores), privacidade, amplidão dos espaços, controle do conforto térmico e acústico, possibilidade de isolar-se quando lhe apetecer refletir, rezar, meditar, assistir a um programa de televisão, descansar, desenvolver atividades com outras pessoas (mesa na cozinha, sala organizada para receber amigos e familiares, “home office” para trabalho em conjunto, etc.) e deve adequar-se à perda constante da capacidade funcional do idoso, incluindo audição e visão. O posicionamento de quadros deve ser de forma a poderem ser observados a uma altura menor, para as pessoas sentadas (cadeira de rodas). Em vista disso, o importante é que se possa, sem abandonar os aspectos técnicos, estabelecer o foco no usuário e na sua maneira de compreender e interagir com o meio social e físico. É essencial que o arquiteto considere as referências culturais e sociais, particularidades, hábitos e necessidades do morador, além de suas relações com os objetos e seus significados. Um espaço visualmente atraente pode impulsionar uma melhoria do humor, disposição ou ânimo ou um estado de felicidade. Se há uma fase da vida na qual devamos priorizar mais e dar lugar às nossas preferências, esta talvez seja a muita idade. Por ‘preferências’ quero dizer um leque grande de idiossincrasias subjetivas e necessidades objetivas e físicas: hábitos quaisquer que sejam, necessidades profissionais técnicas e, tanto quanto estas, também as preferências estéticas, subjetivas, sutis e aquelas que nem sempre são tão fáceis de se explicar. Todas precisam de seu lugar. Eu acredito que sofreria muito se fosse obrigada a morar em uma unidade onde a minha estética, a minha história, as minhas necessidades e a minha personalidade não fossem respeitadas. Eu tenho necessidade de estar entre coisas que me agradam, em ambientes de bom gosto e com pessoas de quem gosto. Por esse motivo, gostei de uma palestra de decoradores que indicava algumas tendências atuais da decoração reforçadas pela pandemia da Covid-19. São elas: incrementar as áreas de convívio social; implementar espaços para trabalhar, divertir-se e estar; usar plantas e materiais naturais no interior das moradias; reutilizar e renovar móveis, acabamentos e objetos antigos; destacar as lembranças e objetos que remetem à história do morador; e criar ambientes com personalidade, que se distanciem do óbvio, mais ajustados às particularidades do morador. Morar bem faz bem à saúde. É fundamental e uma necessidade básica. Por esse motivo, no mundo inteiro as pessoas são unânimes em trabalhar e lutar para ter uma boa moradia, usam seu tempo para enfeitar e tornar mais acolhedor o espaço onde moram e, muitas vezes, trabalham.

quarta-feira, 17 de agosto de 2022

A habitação na muita idade: morando sozinho – A arquiteta indica e explica

CO-AUTORIA – Arquiteta Cecilia Lourenço Góes, 36 anos, graduada pela Universidade de São Paulo, com 13 anos de experiência na área. Trabalha em projetos residenciais, institucionais e públicos no escritório MGóes Arquitetura e Design, em São Paulo. Continuação da postagem anterior... Os espaços onde o idoso executa tarefas exigem cuidados com a manipulação facilitada e segurança. O mais importante é o usuário sentir-se livre, seguro e com facilidade para trabalhar ali. Alguns exemplos abaixo: A altura das bancadas, cubas, utensílios, armários e prateleiras deve ser adequada à altura do usuário e levar em conta o fato de que sua altura tende a diminuir com o tempo. Gavetas oferecem a vantagem de melhorar a organização dos utensílios porque evitam o empilhamento dos mesmos e, se em boa altura, não necessitam de agachamentos. Em alguns casos pendurar peças de uso frequente nas paredes ou pendentes pode ajudar. O fato dos objetos estarem bem visíveis facilita que sejam encontrados com mais facilidade. O planejamento dos cômodos deve permitir uma rotina de limpeza fácil e segura como, por exemplo: utensílios com espaço para serem guardados para não atrapalhar a mobilidade; prever os produtos e instrumentos ao alcance da mão; prever fácil descarte do lixo; planejar fácil acesso aos ralos, etc. Uma vez que os idosos são mais distraídos, é preferível optar por eletrodomésticos que tenham dispositivos de segurança, que sejam simples, de fácil utilização com dispositivos de desligamento automático. Também deve-se escolher registros de torneira, puxadores de gaveta e maçanetas com alavanca ou cruzeta porque são mais fáceis de usar; janelas fáceis de abrir e fechar; e varais de roupa com manivela para içá-los. Recomenda-se incluir recursos eletroeletrônicos e de tecnologia com controles facilitadores (televisão, aparelhos de música, celulares, luminárias e outros). Quanto à iluminação, temos que lembrar que os possíveis moradores idosos passaram a maior parte da vida em ambientes iluminados por luz incandescente. Essa tecnologia, hoje em desuso, é melhor do que a maior parte das atuais lâmpadas LED, cuja tecnologia, é econômica, mas não tem a qualidade de luz das mais antigas. Para o conforto do ambiente são preferíveis lâmpadas de cor quente, amarelada e que emitem muita claridade. Para facilitar o acionamento de abajures, podem ser cogitado o acionamento pelo piso (o usuário pisa em um botão) ou por tomada comandada (o abajur pluga em uma tomada e esta é acionada por um interruptor de parede, convencional, de modo que basta apertar o interruptor de parede para que o abajur acenda). Interruptores de parede costumam ser mais fáceis de apertar do que interruptores tradicionais de abajur. O mais importante é poder contar com a participação do usuário em todas as escolhas. Ele deve participar e opinar nessas decisões práticas. Continua na próxima postagem...

quinta-feira, 4 de agosto de 2022

A habitação na muita idade: morando sozinho – Os espaços onde a permanência é maior

CO-AUTORIA – Arquiteta Cecilia Lourenço Góes, 36 anos, graduada pela Universidade de São Paulo, com 13 anos de experiência na área. Trabalha em projetos residenciais, institucionais e públicos no escritório MGóes Arquitetura e Design, em São Paulo. Continuação da postagem anterior O dormitório, a cozinha, o “home office” e a sala são cômodos particularmente importantes devido ao maior tempo de utilização. Assim, esses espaços exigem cuidados especiais tais como: amplitude maior, com controle de temperatura e umidade, luzes apropriadas para leitura, inclusive noturna, e o dormitório estar localizado perto do banheiro (o idoso urina muitas vezes à noite). A cama, cadeiras e sofá devem ser um pouco mais altos que os usuais para facilitar a mobilidade do idoso. Todos esses quatro espaços devem ter condições para manter próximos, copos e água, livros, celulares, remédios e recursos para a comunicação fácil (fones, alertas, campainhas). O banheiro deve ser suficientemente amplo para permitir banho com apoio e uso de cadeiras de roda, ter apoios na parede, perto de vasos, lavatórios e no chuveiro, possuir espelhos de aumento para a maquiagem (existem modelos com uma haste extensora, eficaz) e luzes noturnas bem situadas. Se for de uso pessoal precisa ter acesso fácil, livre de qualquer obstáculo, inclusive porta. Outra particularidade é possuir nichos para utensílios de banho de fácil acesso e limpeza (ex.: saboneteira). O meu banheiro precisa de um varão na área do chuveiro para colocar calcinhas, meias e máscaras a secar porque gosto de lavá-las pessoalmente, durante o banho. Para pessoas com dificuldades de mobilidade nas mãos e braços, pode ser bem vinda uma papeleira (que solta papéis avulsos) ao invés do rolo de papel higiênico que depende das duas mãos para ser usado. As normas governamentais aconselham a prever que a porta do banheiro abra para fora porque se o usuário cai no interior do banheiro e perto da porta pode impedir a entrada do socorrista. A cozinha e a área de serviço são os cômodos que, mais facilmente, oferecem riscos de infecções devido alimentos, umidade, calor e outros fatores. Por esse motivo, além do espaço necessário para se trabalhar com segurança e conforto (bengalas, andadores e cadeiras), devem ter facilidades para higiene rigorosa dos alimentos, das paredes, pisos, mobiliário e maquinário. As tarefas domésticas podem ser muito atrativas para alguns idosos porque evita o sedentarismo, fá-los sentirem-se úteis e independentes. Muitas vezes suas habilidades podem atrair a companhia de amigos e familiares; as avós poderão conquistar os seus netos com delícias gastronômicas. Assim, a existência de mesas e cadeiras na cozinha pode ser desejável, bem como bancadas ou balcões secundários para estar. Continua na próxima postagem...